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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

ONU destaca urgência de ação climática após agência meteorológica confirmar aquecimento global recorde

Na Somália, plantações e gado morreram em áreas onde não há água corrente há três anos por conta de falta de chuva. Foto: PNUD/Said Isse
Na esteira de dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicando que os últimos quatro anos foram oficialmente os “quatro mais quentes já registrados”, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu ação climática urgente e aumento da ambição, antes da Cúpula sobre o Clima, marcada para setembro.

A reação aconteceu após a OMM emitir um relatório confirmando que 2015, 2016, 2017 e 2018 foram os quatro anos mais quentes registrados até hoje. A análise, com base em monitoramento realizado por cinco organizações internacionais, também mostra que a temperatura média global da superfície da Terra em 2018 foi aproximadamente 1°C acima da base pré-industrial (1850-1900).

Na esteira de dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicando que os últimos quatro anos foram oficialmente os “quatro mais quentes já registrados”, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu ação climática urgente e aumento da ambição, antes da Cúpula sobre o Clima, marcada para setembro.

A reação na quarta-feira (6) aconteceu após a OMM emitir um relatório confirmando que 2015, 2016, 2017 e 2018 foram os quatro anos mais quentes registrados até hoje. A análise, com base em monitoramento realizado por cinco organizações internacionais, também mostra que a temperatura média global da superfície da Terra em 2018 foi aproximadamente 1°C acima da base pré-industrial (1850-1900).

“A tendência de temperaturas no longo prazo é bem mais importante do que o ranking de anos individuais, e esta tendência é de ascendência”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. “Os 20 anos mais quentes já registrados ocorreram nos últimos 22 anos. O grau de aquecimento durante os últimos quatro anos foi excecional, tanto em solo quando no oceano”.

“Temperaturas são apenas parte da história. Alto e extremo impacto meteorológico afetou muitos países e milhões de pessoas, com repercussões devastadoras para economias e ecossistemas em 2018”, disse.

“Muitos dos eventos meteorológicos extremos são consistentes com o que esperamos de um clima em mudança. Esta é uma realidade que precisamos enfrentar. Redução de emissão de gases causadores do efeito estufa e medidas de adaptação climática devem ser uma prioridade global”, disse Taalas.

Destacando preocupação com os dados, divulgados pela primeira vez em novembro de 2018, Guterres disse que eles confirmam “a urgência de responder com ação climática”, ecoando os resultados apresentados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) em seu relatório especial de outubro de 2018 sobre os impactos de um aquecimento global de 1,5°C.

O relatório do IPCC indicou que limitar o aquecimento global a 1,5°C irá exigir “transições rápidas e de longo alcance em terrenos, energias, indústrias, construções, transportes e cidades” e que emissões globais de dióxido de carbono, atribuíveis à atividade humana, terão que cair 45% até 2030 em relação ao níveis de 2010, alcançado “zero” em torno de 2050.

O secretário-geral afirmou que, “para fazer estas transformações, precisamos aumentar significativamente o nível global de ação e ambição climáticas”.

Para mobilização política, Guterres convocou uma Cúpula sobre o Clima para 23 de setembro deste ano, focando em nove áreas essenciais: ambição elevada em medidas de mitigação climática; como gerenciar a transição para fontes alternativas de energia; gerenciar transição industrial.

Outros pontos incluem criar soluções através de agricultura, oceanos, florestas e ambientes relacionados à natureza; infraestrutura, cidades e ações locais; finanças climáticas, especialmente precificação de carbono; intensificação de resiliência e adaptação, especialmente para os mais vulneráveis; impulsionadores sociais e políticos; e mobilização política e de cidadãos.

O secretário-geral da ONU disse estar trabalhando de perto com Estados-membros e partes interessadas não partidárias para permitir resultados nestas áreas, podendo assim enviar “fortes sinais comerciais e políticos que podem impulsionar a corrida” para cumprir os objetivos do Acordo de Paris de 2015, no qual países se comprometeram coletivamente a limitar aquecimento global para 1,5°C acima de níveis pré-industriais.

Informando as discussões na Cúpula junto a outros importantes relatórios científicos, a OMM irá emitir o relatório completo “Estado do Clima 2018” em março. O relatório irá fornecer uma visão abrangente sobre variações e tendências da temperatura, eventos de alto impacto e indicadores de mudança climática no longo prazo, como aumento de concentrações de dióxido de carbono.

O relatório será acompanhado de um comunicado de recomendações políticas da ONU para tomadores de decisões sobre a interação entre condições meteorológicas, clima e fornecimento de água, e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

(Fonte: ONU BR)