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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Piores vendas em 15 anos: CNC rebaixa previsão de alta do varejo ampliado para 4,8%

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A conta da greve dos caminhoneiros chegou para o comércio. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) informou, ontem, que o varejo ampliado caiu 4,9% em maio na comparação com abril. É o pior resultado para o mês em 15 anos, segundo o economista-chefe da entidade Fábio Bentes. Estimado em R$ 7,4 bilhões, o prejuízo puxa ainda mais para baixo uma economia já combalida. Por isso, a CNC rebaixou a previsão de expansão do setor de +5,0% para +4,8%. Além de bens de consumo, entram na conta as vendas de veículos, peças automotivas e material de construção.

Também ontem, o IBGE divulgou os números do varejo simples, que retraiu 0,6% com relação ao mês anterior. Foi a primeira queda em 2018 e o pior resultado para o mês em dois anos. No caso do varejo ampliado, a queda é cerca de oito vezes maior, puxada pela baixa do setor automotivo, nada menos que 14,6%, e do grupo materiais de construção caiu (-4,3%). 

Apenas combustíveis e lubrificantes (-6,1%) e o grupo livraria e papelaria (-6,7%) apresentaram desacelerações semelhantes. Mas a venda destes produtos já vinha declinando nos últimos meses, diferentemente do que ocorria com o setor automotivo e de materiais de construção, que registravam alta de 17,8% e 4,8% no acumulado do ano. Ainda assim, no segmento de veículos, as vendas estão 41,9% abaixo do patamar recorde alcançado em junho de 2012.

Em maio, o único ramo que conseguiu compensar os efeitos da paralisação foi o de hiper e supermercados, com alta de 0,6%, muito em função da corrida dos consumidores para estocar comida durante a greve.

“Embora as significativas quedas provocadas pelas paralisações estejam restritas ao terceiro bimestre de 2018, dificilmente o ritmo de vendas veri? cado nos cinco primeiros meses do ano se manterá no segundo semestre”, prevê Bentes.

Para a revisão de suas previsões, a CNC leva em conta a base de comparação alta do segundo semestre de 2017, quando o comércio retomou o crescimento após três anos de queda; desalento no mercado de emprego, que reprime o consumo das famílias; e o novo patamar da taxa de câmbio, que encarece produtos importados ou nacionais que contam com insumos estrangeiros.

“Como no Brasil a poupança é muito baixa, o principal indicador do consumo é o mercado de trabalho. O medo do desemprego ainda ronda a cabeça do consumidor e os números mostram que a melhora tem vindo pelo aumento do trabalho informal”, explica o economista da CNC.

A insegurança com relação ao cenário eleitoral também pesou na revisão do índice. “Hoje o governo está sem capacidade de investimento e, quem pode fazê-lo, o empresário, prefere aguardar o desfecho dessa eleição confusa para investir”, comenta. 

As paralisação dos caminhoneiros também afetou consumidores. Segundo o último IPCA-15 entre os dias 15 de maio e junho, período exato da greve, bens de consumo não duráveis como alimentos e combustíveis, tiveram os preços aumentados em 1,72%, a maior alta em dois anos.

Rio de Janeiro

A Fecomércio-RJ lembra que o impacto da paralisação dos caminhoneiros foi ainda pior no comércio do Rio: retração de 2,4% ante abril. Nos últimos 12 meses, o comércio do estado cresceu apenas 0,2%, frente a um crescimento nacional de 3,7%.

A Federação considera que os principais entraves à recuperação no segundo semestre são a diminuição da expectativa do comércio aliada ao receio com o processo eleitoral, além da informalidade elevada e insegurança.

(Fonte: Jornal do Brasil)