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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Empregabilidade verde

Assim como um segundo idioma, a qualificação sob a ótica de impactar menos e recuperar o meio ambiente tende a se tornar pré-requisito de todo profissional e abre oportunidades em novas funções

O projeto Escola de Conservação da Natureza forma jovens de 15 a 24 anos do litoral do Paraná para o empreendedorismo sustentável. Reginaldo Ferreira/Divulgação
Direcionar a qualificação profissional, seja qual for o ramo de atuação, para o desenvolvimento de competências capazes de contribuir para o desenvolvimento econômico sustentável não só é imprescindível para o presente e o futuro das organizações e do planeta, quanto da própria empregabilidade. Tal condição está mudando substancialmente as grades dos cursos de graduação, que já percebem esse viés como pré-requisito dos profissionais que estão se formando. Indicadores de entidades como a OIT (Organização Internacional do Trabalho) também endossam a valorização desse tipo de capacitação. 

No relatório global sobre "Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo 2018: Greening with Jobs", lançado neste mês pela OIT, o número de vagas de trabalho projetadas para dar conta de toda a demanda gerada pelas questões ambientais como as mudanças climáticas até 2030 é da ordem de de 18 milhões de empregos em todo o mundo, dentre os quais a América Latina e o Caribe, poderão criar pelo menos 1 milhão de vagas apenas no segmento de energias renováveis (abrangendo desde negócios focados na ampliação de eficiência energética em imóveis até carros elétricos). Contudo, não é só o futuro que contempla profissionais que já tem o "lastro verde" como forma de estar no mundo. A arquiteta Adriane Cordoni Savi, responsável pelo escritório Tellus Arquitetura Sustentável, fundando em 2012, atribui ao foco que norteou para o trabalho a diferenciação que garantiu estabilidade no período agudo da crise econômica brasileira e com alguma retomada no crescimento neste 2018. "Não tivemos uma baixa no volume de projetos desde quando abrimos em 2012 e passamos e voltar a curva de crescimento em 2018, creio que isso se deve a um amadurecimento tardio de todo o mercado e da demanda do planeta pra mitigar o impacto", avalia. "Estamos atrasados em relação aos países europeus no entendimento de que qualquer atividade econômica precisa priorizar o meio ambiente e poupar ou otimizar os recursos naturais, mas temos avançado muito porque não só quem tem dinheiro para investir está optando por projeto com certificação ambiental, como os consumidores de moradias populares, que têm a decisão de compra influenciada por soluções que preservam o meio ambiente", afirma a arquiteta. 

Outra constatação dela em relação à evolução dessa valorização de capacitação e ações em prol da economia verde é a expansão dos cursos oferecidos atualmente. "Em 2010, concluí a especialização em arquitetura sustentável na primeira turma da única pós que havia em Curitiba. Hoje, há pelo menos seis especializações na Capital. Além disso, há todo um trabalho de atualização da grade curricular da graduação, porque o aluno de Arquitetura que ingressa agora, sairá em 2022 obsoleto se não tiver na sua capacitação a sustentabilidade, a competência de trabalhar com diversas maneiras de tornar os projetos mais orgânicos, valorizando energias renováveis", ressalta Adriane que também é coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAE Centro Universitário.

Magaléa Mazziotti

(Fonte: Folha de Londrina)