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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Arrecadação de maio aumenta 5,68% no País

Recuperação da atividade econômica e fatores como o aumento dos tributos sobre combustíveis puxam resultado no mês e no acumulado do ano

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A arrecadação de impostos e contribuições fechou maio em R$ 106,192 bilhões, alta de 5,68% em relação ao mesmo mês do ano passado, puxado pela recuperação da atividade econômica, principalmente da indústria, e por fatores não recorrentes ao período, como o aumento do PIS/Cofins sobre combustíveis que entrou em vigor somente no segundo semestre. Segundo a Receita Federal, somente os tributos sobre gasolina e diesel representaram R$ 1,566 bilhão, ou quase um terço dos R$ 5,094 bilhões a mais do recolhimento administrado pelo órgão ante o quinto mês de 2017. 



No acumulado de janeiro a maio de 2018, o valor ficou em R$ 603,4 bilhões, acréscimo de 7,81% ante período equivalente em 2017. Os destaques no acumulado são o aumento de tributos relacionados à importação, que foram puxados pela disparada do dólar, ao maior volume de bens e do reajuste do PIS/Cofins sobre combustíveis, além do ganho de massa salarial pela geração positiva de postos de trabalho neste ano, conforme a Receita. 

Para o chefe de Estudos Tributários da Receita Federal, Claudemir Malaquias, a retomada econômica é explicada pelos números dos últimos 12 meses, quando houve crescimento de 4,48% na produção industrial, 7,23% na venda de bens e 3,03% na massa salarial. Somente neste ano, se descontadas as receitas não recorrentes como a adesão a programas de refinanciamento de dívidas tributárias e o PIS/Cofins dos combustíveis, ele cita que a variação positiva seria de 4,26% em maio e de 4,11% no ano. 

Malaquias aponta ainda a fiscalização mais rigorosa da Receita sobre os contribuintes. Os valores arrecadados com ações de cobrança totalizam R$ 46,2 bilhões em 2018, 14,5% acima na comparação com os cinco primeiros meses de 2017. "É o que está justificando o crescimento da arrecadação acima do PIB", afirmou o chefe de Estudos do órgão. 

Paraná

A arrecadação gerada no Paraná teve variação semelhante à nacional, com aumento de 2,61% em maio ante o mesmo mês de 2017 e um total de R$ 5,026 bilhões. Na comparação entre os primeiros cinco meses dos últimos dois anos, o ganho foi de 6,90% para fechar com acumulado de R$ 27,646 bilhões em 2018, de acordo com relatório da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 9ª Região Fiscal (Paraná e Santa Catarina). 

Também foram os impostos ligados à importação e exportação, sobre a atividade industrial e sobre a renda, que refletem as estimativas de lucro real das empresas, que impactaram no resultado de maio e do acumulado do ano, no Estado. A arrecadação previdenciária, relativa à geração de empregos, também teve destaque. 

Sobre a greve dos caminhoneiros, a auditora fiscal Giovana Longo, da 9ª Região Fiscal da Receita, considera que a diferença aparecerá nos números de junho. "A previsão é que a arrecadação sobre o PIS/Cofins de combustíveis também caia em relação a maio, porque houve redução na cobrança sobre o diesel após a paralisação", lembra. Porém, ela diz que não é possível apontar se o resultado geral terá retração ou aumento. 

Conselheiro do Corecon (Conselho Regional de Economia) do Paraná, Laercio Rodrigues de Oliveira afirma que é certo que a atividade econômica melhorou neste ano, com base no desempenho industrial, na venda de bens de consumo e adesão a parcelamentos tributários. "Mas foi menor do que o esperado, até porque o governo teve de pedir ao Congresso uma alteração na previsão de deficit no orçamento." 

Oliveira considera que a greve terá impacto pontual e que a recuperação deve ocorrer em seguida. "Os resultados de vendas de datas comerciais como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados indicam que houve crescimento, então não deve ser algo tão grande. A não ser que tenhamos outro acidente de percurso como esse (paralisação)", completa.

Fábio Galiotto

(Fonte: Folha de Londrina)